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tenho as mãos lotadas
cheias, vazando entre os dedos: ódio e querer.
violência na minha espinha.
tou cansada, baby.
eu sou fogo. desespero. o que não se pega. se joga. se chuta. se põe pra ferver.
meu corpo delira nos relógios. aflito. aflito.


Postado por renata flávia às 20h32
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teu corpo tem teu olho seco no meio e um gosto retorcido de vento em folhagem. eu vejo e chego a gostar. um mundo que escorre no teu ombro pingando em cada passo. meio verde e molhado. meio caindo mas andando e sempre, sempre pra frente como se não me visse. chego a gostar do que não me vê, chego chego me envolvo e não tenho pressa de assistir tua dança esquisita. até três batidas com o pé. três batidas com o dedo indicador. até. que beleza essa de não querer ser nada além do que já é. que beleza de não ser percebido e por isso livre pra ter o formato de estrela caída em lama verde. eu gosto do teu cabelo desgrenhado e alto como um monte de lixo e pássaros voando. chego a gostar da cor que se mistura com isso. teu olho de meio tem cilios postiços enormes também chegando a tocar os cabelos. chego a gostar. chego a ficar mais e mais. você se envolve com o nada tão bem. você se joga pros cantos como ninguém. é bonito tua relação com esse nada. o nada é tua menina. chego a sentir ciúmes terríveis. ah que o nada te suga toda atenção, te ocupa toda vida. e chego a gostar que você não perceba que existo e assim também fico livre. mas não me controlo. chego bem perto. tento encostar. escorrego no teu mundo pingado no chão. e chego a gostar e chego a gostar e.

 


tim burton

Postado por renata flávia às 22h33
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praça pedro segundo é a possibilidade do sonho entre um teatro fechado e um centro pós-prisão geme aflito meu coração nos braços de um amor esquisito desses que não se entende qual a mão. contrário. estribilho de música desonata de pedras desfeitas na cabeça de meninos perdidos. a cidade geme alto meu puro sonho. meu amigo bebe despreocupadamente junto de meninos colegiais que se aventuram nos primeiros cigarritos mal bolados. alguém sorrir alto as curvas da esquina da cidade sem memória. trago o peito cravado de amor mal resolvido nas lembranças desta praça. trago o peito marcado, pedro segundo, por todos teus bancos. o café me desafiando lágrimas a fio. algum hippe convence um real por anéis que não valem a flor que carregam. alguma madrugada deve guardar a surpresa que meu coração espera.

 


Postado por renata flávia às 19h15
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um pedaço mal feito no útero de papel
recados do impossível desafiando o futuro
não há o que esperar
nada ameaça o céu
estamos fadados a carregar nossos absurdos por toda eternidade
há os que caem
há os que correm
há nós, baby
fragmentos notívagos borbulhando estrelas em poemas malditos
sem rima, sem disfarce
puros como bêbado adormecido nas ruas de sol.

 


Postado por renata flávia às 14h28
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do primeiro.

quando levantaram a primeira bandeira do caos, ele estendeu o braço pra dar a volta sonora na minha cintura. quando deflagraram a primeira bomba e meninos de pés de anjo flutuavam sobre os ônibus, sua barba roçou pela primeira vez entre meu queixo e meu pescoço. asceso um cometa desceu naquele dia, explodindo estrelas nas avenidas encurraladas de revoltas e corações anciosos por outro dia. por toda essa avenida teu tato deslizando sangue e suor nos meus braços. tua cabeça estendida no sonho vermelho de um dia ser outro. em estado de guerra eu abraço! quando uma multidão se embalava aos gritos, bardos, flores e ódios te coloquei entre as costelas, tal qual meu tamanho em ti, e guardei seguro.

 

Postado por renata flávia às 13h50
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magritte.


fui tragada. me levaram em um dia cheio daquele sal que fica grudado na nossa pele em frente ao mar. nesse dia. nesse sal, fui tragada. um pedaço meu não quer voltar, nunca mais. outro, nem poderia. fiquei embaixo de escombros de um passado cheio de entulho e bagagens que nunca serão desfeitas. perdi os ossos. massa mole e crua digerida. quero a fórmula fácil. não aguento ameaça. quero o tato o fogo de volta a esse corpo tragado. carnaval na esquina. teu corpo-poema se revirando em meu pensamento que rebola, bunda, costas, em tua cara de naufrágio. meu corpo isca puxando de leve, de leve, assim como o sal daquele dia. pouco a pouco grudado e já não sai. e já pele sobre pele. me calei quando explodi meu último artificio bélico. aos seus pés eu gritei músicas rápidas. três acordes. profanidades pelo pátios de guerra. meu sistema coronário parou de funcionar, baby. sou fogo. leoninamente fênix da cidade mais quente do mundo. nasci ali, entre o trago e a brasa. nasci ali na forma mais difícil de se segurar. faíca, caos, ar. uma mistura pronta pra .

 


Postado por renata flávia às 00h55
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entre o teu céu e o meu, um abismo inteiro se contorce. um abismo inteiro se comprime e se expande ao memo tempo, assim como se doesse, como se pulsasse de maneira ofegante. cansaço no país dos rebeldes. e tudo ficou morno, sem gosto, sem invenção. silêncio na sala do poeta, nenhuma bomba deflagrada enquanto os grandalhões dormiam. é tudo muito duro, muito farto, fácil de aborrecer. então foge. se manda, se perde, deixa tudo pra trás e anda como quem nasceu grande, como quem nasceu agora, como quem nem nasceu só começou a existir do nada assim como o mundo, como tudo, como um deus qualquer dono de um poder especifico, dono de uma cidade que não quer. então se manda que é melhor. cancela os compromissos, cancela o almoço, a janta o café. cancela esse tormento de saber o dia de amanhã exatamente como vai ser, de saber o depois de amanhã exatamente como foi ontem. cancela o discurso. cancela a bomba também, já não há mais ouvidos, já não há mais pele. foge daqui desse corpo que não te obedece. entre o caminho e aqui existe um abismo florido que te recebe. eu grito: eu vou. eu não fico. eu não suporto o teu dia, teu compromisso. então corre, então foge e de novo e de novo até o poeta deixar de ser morno, até a imagem cansada ser deflagrada em bomba em canto em cinema reinventado num canto escuro de sala. eu me precipito. eu viro chuva. eu me precipício. eu caio. entre meu tormento e teu destino existe uma ponte nada planejada, um suor, uma tormenta que guarda no fundo aquela calma de amanhã sendo outro e sendo depois e sendo qualquer coisa que me jogue na tua cara.

 


trainspotting

Postado por renata flávia às 22h55
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há algo dentro não captado nos exames. um profundo e obscuro buraco que os médicos nunca percebem. há esse ponto infinito como céu dentro de céu e nunca se alcança o outro lado.
dispara feito arma, no osso, entre costelas, é forte. estraçalha.
há algo que se espalha feito gás, feito enchente, me inunda, me ameaça a cada passo.

Postado por renata flávia às 23h33
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a violência explode nas mãos de meninos de algodão
vira faísca
chuvisca campos de cometas em chamas na cidade desiludida.

indignados se espalham em trovão
destroem o comando, o cotidiano
os panos da enganação.


estado de graça do que ameaça e vai fazer
pequenos carrocéis de sangue entre os dedos histéricos.

Postado por renata flávia às 12h56
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a tua voz tem tua cara e não tem som. é oca assim pra que caiba tudo.
é vento que empurra a noite, toma café e alimenta absurdos.
tua voz é dom, de quem consegue pintar o que é mudo. dom de conseguir ver no mais profundo escuro.
movimento que se pega com camera sem flash.
é o mundo e sua espera. o tempo e sua promessa. a vontade e seu princípio de inércia.
tua voz é soco que não se pega. meu teorema. uma fome que desespera.

 


Postado por renata flávia às 23h32
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Meu bem choraminga blá blás sem sentido
madrugada a dentro
fincando estacas profundas no meu ouvido
reclamando sorrisos sem sentido
ou qualquer outra forma de abrigo.

Estou longe, no terceiro litro
vendo meus pés duplicados
entre a rouquidão do sono
empurrando nas pálpebras abismos.

Ali está você monitorando meus sonhos
te vejo blá blá na minha frente
esquento teu lábio e o silêncio se faz
tudo rima, meu bem,
todo menos é mais.

 

Postado por renata flávia às 14h53
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nan goldin.

 

 

Postado por renata flávia às 14h53
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um the end.


tou cansada, baby. tou toda árida por dentro, dia e noite tentando achar a fórmula, acho que a fórmula é nunca achar a fórmula. é frustante,baby. eu desisti, resolvi transformar tudo em uma combustão que eu tenho que achar um jeito de queimar. está sempre nublado quando eu caio. épocas de chuva que me torturam tanto. o frio é triste porque pede tanta coisa e tanta coisa não existe mais e eu já não sou coisa nem tanta em nada. labirinto de impossibilidades, decidi por mim, por mim antes de tudo, por mim antigo que você não chegou a conhecer. decidi pela cor vermelha almodóvar que eu guardei pra você. decidi por queimar. não sei por onde começar, eu não sei. tenho uma vida inteira pra resolver e tantos problemas, tantas lembranças e dores e tantas vontades. é muito pra fazer, por isso tou cansada. preciso descansar. preciso tanto descansar. vontade de vento de janela a tarde. vontade de saber parar. não aguento mais, baby. eu desisto. eu viro paz.

 

Postado por renata flávia às 14h24
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ando perdida como cão guia sem guia: eu sei, mas não há pra quê saber.
cachorro olhinhos de eu sei que estou aqui sozinho.
cachorro de eu não estou pedindo sua orientação,
apenas sigo meu caminho. esse caminho aí na frente meio sem razão.
não me diga que ta errado cair e sofrer quando dói.
eu posso lamber meus machucados. posso curar até meu coração.
um dia perdido é um dia vencido
mais um pouco e acho a direção.

Postado por renata flávia às 00h09
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diz, coração!
é possível amar sem as mãos?

Postado por renata flávia às 23h46
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