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existe uma floresta dentro de mim
uma selvagem que só acha
equilíbrio com novas paisagens
uma louca de pedra

de sol

de chuva
uma corredora de mata
tão perdida nessas casas
no concreto
tão longe
coração incerto
essa quer duas medidas
equilíbrio de balança
dispersa

intensa
clama

um pouco de meio
no vasto campo de si.

 

Postado por renata flávia às 11h19
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L'heureux donateur - Magritte

 

minha casca cobre um ambiente selvagem, tão seu que torna todo processo de conhecimento uma busca pela sobrevivência no ambiente mais inóspito. tento definir o que é esse borbulhar dentro das costelas que parece estremecer do céu a terra entre meu pescoço e meu ventre. uma tempestade balança toda minha estrutura, perco toda a bagagem, me lanço naufragada e já é deserto. toda água de repente vira calor e aridez, torna tudo oco e seco. balançar é fazer cair um peso enorme grão por grão do meu estômago até meu pés. é muito difícil definir se o que sinto é seca ou inundação. fico perdida nas ruas olhando através das coisas pra me concentrar em tentar ver o que acontece no fundo. isso torna qualquer tarefa desafiadora e faz com que eu comemore alegremente qualquer atividade finalizada e digo pra todos com orgulho e é tão ridículo porque dentro daquelas pessoas tudo é tão natural, elas andam, comem, entram e saem de cursos e amizades aos milhares e nem sentem vontade de compartilhar muito menos comemorar. então deixo lá nessa selva tanta coisa guardada que talvez seja isso que faça o clima mudar bruscamente e já é euforia e sol de praia, vento de praia, sal cheio de sabor escorrendo de dentro da minha boca. maresia. é complicado explicar o meu clima porque a casca não racha pra você ver e você acredita que eu não preciso de nada e que toda essa história é loucura demais pra sua vida bem coordenada e cheia de atividades, amizades e coisas que acontecem e são tão naturais que não há nada a dizer. eu faço textos mirabolantes na cabeça arquitetando um castelo ao redor de um novo que bateu no meu cotidiano, crio visitas e viagens todas planejadas com ida hospedagem e volta e pra mim já é tão importante e real e libertador que é difícil forçar da casca pra dentro que - é sonho, querida, volte e mude esse clima. complicado porque esse negócio já se instalou com raízes tão profundas e eu já fiz todo tipo de plano e já vizualizei minha vida em pelo menos quinze anos e ter que mudar tudo demora e ninguém fora da casca tem muito tempo pra esperar e pôxa como é complicado explicar então é melhor aquietar tentar não balançar muito evitar a queda, segurar bem o mar, a tempestade e os grãos e rezar para que nada tropece em mim enquanto eu tou tentando sair do trabalho e voltar pra casa porque eu posso a qualquer momento inundar.

 

 

Postado por renata flávia às 11h06
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talvez eu tenha fracassado bem na hora que derramei na garganta
uma golada de lógica e bom senso.
eu morri junto com cada verso,
acabei. perdi o controle das rimas
transformei o fogo em ácido,
a fúria em rotina.
fiquei velha como o medo.

 

 

Postado por renata flávia às 11h27
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sou interminável
nada acaba dentro de mim


acumula-se cada momento
instantes mínimos
não encontram fim

é que não fui treinada com pontos
tudo vírgula e sonho
convivem: aconchego, assombro

sentimentos inimigos
vivendo feito vizinhos

pois tudo que entra fica
tudo que corta, amola

sorriso permanece finco


sigo guardando eternidades
em milímetros

 


 

Postado por renata flávia às 10h20
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entenda a dificuldade que é negar a própria natureza
tentar acertar com o sangue errado
tentar enxergar com os olhos virados

eu intrusa da sua paz
inquieta na sua calma
prometo 

prometo te poupar do meu assédio ao problema
ter asas e flutuar por cima do drama
me esforçar para apagar toda minha ânsia

 

 

Postado por renata flávia às 17h20
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me deixa pensar que é uma conquista cada coisa pequena, que tem uma vitória grandiosa em calar a maldita palavra, em cruzar uma pista movimentada. aceita eu ver grandeza em cada calçada, um brilho na areia, uma possibilidade na encruzilhada. eu quero me fartar de tanto acreditar quão grandioso é o silêncio que produzo, que posso alcançar a mulher que fiz, como o movimento do passo já é um pouco de equilíbrio que eu consegui. tenho o corpo marcado, colecionadora de cicatriz, sinais grafados, micro pedaços de mim, admite que sejam rastros que espalho dançando como rio, banhando tudo que eu vi. me deixa decidir o tamanho da vitória de qualquer coisa que eu teime em sentir.

 

 

 

Postado por renata flávia às 16h21
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a arte
de dizer nada
com muitas palavras.

 

 

Postado por renata flávia às 16h25
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pele desabando em pele
um ritmo
              música
onda de delírio transmitido
de leve ou
de uma vez
estrondo em dança

eu quis mais de uma!

e vem
discreto
pêlo do braço
cabelos
as mãos de deuses antigos
renascendo
criando força
no momento
                destino
 de ser isso
 tormento!

 

 

 

Postado por renata flávia às 16h19
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rum, bocejar
comum respirar
um sonhar

 

Postado por renata flávia às 15h46
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nem que seja na porrada
no gole seco
na bebida amarga
em toda parte de mim
a sanidade
será recuperada

 

 

 

Postado por renata flávia às 14h08
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teus olhos grandes e a tentativa de devorar o mundo pela raiz da alma
tentando ir além
sempre ficando superficial e amarga
não cabe, distraída entre a fome e o copo
escolhas são sempre adiadas
a vida em cada esquina
nunca valeu tanta dor causada
olhos grandes anda sempre nua na alma

 

Foto: Nan Goldin

Postado por renata flávia às 17h49
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um desejo é uma casa que a gente constrói ao nosso redor e alimenta tijolo por tijolo e quando vê está rodeado dele e ele é a meta o combustivél dos dias o que move cada mistério. atormenta porque em um incontavél número de dias você se vê martelando sobre a mesma pedra, lapidando incansavelmente o mesmo esboço e deixando levemente de lado os outros cenários, deixando alguns interesse famintos, deixando as páginas puras mesmo, branca. e cá estou louca pra escrever e sem conseguir botar uma palavra atrás da outra. queria não estar pensando agora.

 

 

Postado por renata flávia às 17h28
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fatias de mim espalhadas por todos os lados. você desaparece e eu apresso cada vez mais o passo. cismo eternamente que escrevo pra ninguém e no entanto parece que todos já leram no alto da minha testa todos os recados. desfaço. disfarço. não tenho medo do seu maldito joguinho da sua cara de "eu sei o que faço". não sabe. em uma mulher gira um universo enquanto nos homens cabe no máximo um mundinho desarrumado. eu tenho planos escorrendo pelos braços. tenho sede. corro. me estraçalho mas faço. ou tento me comovo e acabo. eu não tenho como caber mais em nada. descobertas já adotadas da primeira vez que você me jogou fora da estrada. um salto. carro em movimento. todo meu tempo em câmera lenta no espelho. eu metida no batom mais novo que desejei, sozinha no banheiro. é um sintoma de estar sempre correndo pro lado errado e quando chega sempre chegando atrasada. destrono teu ego. cuspo forte. ninguém mais engole depois de um certo tempo, de uma certa idade.
eu despedaçada no final do acostamento. você bonito cuidando milagrosamente da sua vida enquanto o universo conspira. 



 

Postado por renata flávia às 14h45
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não vai ter tempo suficiente pra que eu diga. sinto que se esgota uma possibilidade de vida enorme no segundo que tento matar isso.
e ao mesmo tempo parece que tudo é mentira. ou você pôs a mão quente bem em cima da ferida. ou você só é a ponta afiada que a faz viva.
dúvida de qual será a saída. se ela há. se você é ácido ou penicilina.
tenho os dias entrecortados por lapsos que dia a dia você deposita de baixo da minha língua.
tenho tremedeiras a cada vazio que eu percebo que você caberia e seria inteira uma vida.
ou tenho febre e deliro no sonho mais arriscado em que corro e não sei se perco ou se acho.
cansaço.
cansaço.
eu juro que eu queria e não faço. juro que faço e não queria.
juro que seu braço parece um horizonte uma linha pra outro caminho outra boa mentira.


 

Postado por renata flávia às 20h33
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eu precisava dizer mais que o papel em branco eu precisava ter mais força pra gritar que você está errado que você não admite estar errado. queria ter forças pra negar que eu não admito estar errada, que nenhum cálculo foi premeditado e que sou partes inconclusas de uma obra parada. o silêncio tomou todo o terraço, invadiu minha sala, meu trabalho, onde me movo não cabe mais o grito, o espirro o estrago, não movo qualquer explosão no sol, que arde nesse horário de almoço maldito que não consigo agendar com meu estômago doente dolorido. tenho me encostado no canto mais vazio que permita um quietar de quem sonha em ser invisível nos departamentos públicos. tenho uma felicidade secreta. uma vida secreta. canções escondidas na poeira de uns livros que discretamente me aproximei, abri em uma página aleatória e soprei. tenho esses pedaços de mim que você pega e nem sabe que leva, manipula, agride, revela. tenho pedaços de mim espalhados por todos esses lugares, talvez por isso não consiga romper o lacre decretado no cartaz impedindo o som. silêncio. silêncio. todo tipo de som passou a me agredir. eu que sou fogo e explosão. estou em um áquario amavél cheio de pedaços meus espalhados e outros que ainda vou descobrir. tenho um grito inflamado dentro de mim incapaz de se ouvir e eu escrevo e eu olho, lanço chamas ferozes sem ninguém perceber.

 


Postado por renata flávia às 14h51
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